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Entre a medicina e a literatura, Carlos Homero Giacomini apresenta “O Peso e a Pluma” na Rádio Paraná Educativa

Ouça a entrevista:

Em enade, disciplina, inteligência artificial e o trabalho envolvido na construção de uma obra literária.

A literatura não surgiu na vida de Carlos Homero Giacomini como uma ruptura completa com o passado, mas como continuidade de uma trajetória marcada pela observação das pessoas, pela gestão de conflitos e pelo contato direto com diferentes experiências humanas. Durante participação no Programa Uilliam Barbosa, na Rádio Paraná Educativa AM 630, o escritor apresentou seu quarto livro, “O Peso e a Pluma”, e compartilhou reflexões sobre o ofício da escrita.

Médico pediatra, pós-graduado em Saúde Coletiva e membro da Academia Brasileira de Ciências da Administração, Carlos Homero construiu sua carreira profissional entre a medicina e a gestão pública antes de assumir a literatura como sua terceira profissão. Hoje, aos 70 anos, define-se abertamente como escritor, uma afirmação que, segundo ele, exigiu tempo e amadurecimento.

Nascido em Caçador, no interior de Santa Catarina, Carlos Homero mudou-se para Curitiba em 1972, quando tinha aproximadamente 15 anos. As experiências da infância, a convivência familiar, a descendência italiana e as lembranças da cidade natal permaneceram como elementos importantes de seu universo literário.

Durante a entrevista, o autor recordou brincadeiras de infância, histórias familiares e episódios que posteriormente passaram a alimentar suas crônicas. Parte dessas memórias aparece no projeto literário “MIMMESMO”, no qual recupera acontecimentos, personagens e impressões de seus primeiros anos de vida.

Para Carlos Homero, escrever sobre a memória não significa simplesmente reproduzir o passado. A literatura transforma a experiência por meio da linguagem, da construção narrativa e do distanciamento necessário entre autor, narrador e personagem.

A literatura como terceira profissão

O interesse pela escrita começou ainda na escola, quando Carlos Homero participou e venceu um concurso de redação no Colégio Estadual do Paraná. Apesar da facilidade com as palavras, a literatura só passou a ocupar o centro de sua rotina depois de sua trajetória na medicina e no serviço público.

Seu primeiro livro nasceu da necessidade de registrar a experiência acumulada na gestão pública. O autor buscava refletir sobre a relação, muitas vezes conflituosa, entre decisões técnicas e interesses políticos.

Segundo Carlos Homero, uma administração pública eficiente depende justamente da capacidade de conciliar essas duas dimensões. Técnicos nem sempre compreendem a dinâmica política, enquanto agentes políticos frequentemente resistem aos limites e critérios técnicos. Essa tensão forneceu o ponto de partida para sua primeira publicação.

Depois da aposentadoria, o autor decidiu dedicar-se integralmente à literatura. A mudança, entretanto, não representou o abandono das experiências anteriores. A medicina, a gestão de pessoas, a administração pública e o contato com diferentes histórias humanas continuam presentes em sua maneira de observar e construir personagens.

Sua produção reúne romances, crônicas, contos e ensaios. Entre os títulos já publicados estão “Valor, Talento e Método”, “Brasileiros, Paixão Itália” e “Pasquim da Pandemia”. “O Peso e a Pluma” marca o quarto livro de sua trajetória. método, leitura e persistência

Um dos principais temas da conversa foi a chamada “carpintaria da literatura”. A expressão representa o conjunto de técnicas necessárias para transformar uma ideia em narrativa.

Assim como um marceneiro precisa conhecer suas ferramentas antes de construir um móvel, o escritor precisa compreender estrutura, ritmo, conflito, cenário, ponto de vista e desenvolvimento de personagens.

Carlos Homero destacou que uma história nem sempre nasce de um acontecimento pronto. Em muitos casos, ela começa com uma inquietação ou um conflito humano. O escritor pode desejar discutir esperança, desespero, abandono, culpa ou superação e, somente depois, construir o personagem e a situação capazes de sustentar essa reflexão.

Nesse processo, não basta ter uma história interessante. A diferença está na maneira como ela será contada. Como resumiu o autor durante a entrevista, “não é tanto o quê, mas o como”.

A construção de personagens também exige atenção. Para Carlos Homero, um personagem convincente precisa apresentar contradições. Pessoas reais acertam e erram, conquistam e fracassam, experimentam felicidade e sofrimento. Personagens excessivamente corretos, felizes ou bem-sucedidos dificilmente representam a complexidade humana.

A leitura ocupa uma posição central nessa formação. O escritor não deve apenas ler, mas estudar os livros, observar as escolhas narrativas e compreender como outros autores construíram cenas, diálogos, conflitos e atmosferas.

Esse olhar técnico modifica até mesmo a experiência de leitura. Depois de começar a escrever profissionalmente, o autor passa a investigar a estrutura do texto enquanto acompanha a história.

O limite entre inspiração e trabalho

A imagem romantizada do escritor que espera pela inspiração também foi questionada durante a entrevista. Para Carlos Homero, talento pode contribuir, mas não substitui disciplina e persistência.

“O Peso e a Pluma” levou aproximadamente quatro anos para ser desenvolvido. Durante esse período, o autor estabeleceu uma rotina de trabalho de segunda a sexta-feira, dedicando cerca de quatro horas por manhã à escrita, além de outras atividades realizadas no período da tarde.

O processo envolve planejamento, pesquisa, revisão, reescrita e decisões que podem exigir horas de reflexão. Segundo o escritor, encontrar a palavra correta para uma determinada frase também faz parte do prazer da criação.

A satisfação não está apenas na publicação do livro. Está na construção da obra, nos impasses enfrentados e nas soluções encontradas ao longo do caminho.

Inteligência artificial e a busca por produtividade

A inteligência artificial também ocupou espaço importante na conversa. Carlos Homero reconheceu o potencial da tecnologia como ferramenta de apoio, mas demonstrou preocupação com a promessa de que qualquer pessoa poderia produzir um livro completo em poucos minutos.

Para o escritor, esse comportamento reflete uma sociedade excessivamente orientada pela produtividade e pela velocidade. O objetivo passa a ser entregar rapidamente um resultado, mesmo que o processo de criação seja eliminado e a qualidade se torne secundária.

A inteligência artificial pode auxiliar pesquisas, organizar informações ou apoiar determinadas etapas de trabalho. O problema surge quando substitui integralmente a reflexão, a experiência e a responsabilidade autoral.

Luan Coelli, que também participou da entrevista, observou que a tecnologia pode contribuir para os processos das empresas, mas não deve ser confundida com inteligência humana ou domínio profissional.

Na literatura, a discussão torna-se ainda mais sensível. Escrever não significa apenas reunir frases gramaticalmente corretas. O trabalho literário exige repertório, sensibilidade, método, escolhas narrativas e uma relação profunda entre o autor e aquilo que está sendo construído.

“O Peso e a Pluma” e os conflitos da existência humana

Em seu novo romance, Carlos Homero Giacomini acompanha a trajetória de Giuseppe e de sua irmã gêmea, filhos de imigrantes italianos envolvidos com o crime organizado.

Depois do assassinato dos pais, os irmãos tornam-se órfãos e precisam enfrentar perdas sucessivas, abandono, conflitos familiares e fragilidades emocionais. Ao longo da narrativa, esperança e desespero, caos e serenidade, peso e leveza aparecem como forças que atravessam a existência dos personagens.

Giuseppe busca compreender as consequências das decisões tomadas durante sua vida, enquanto tenta encontrar algum sentido para sua trajetória. A obra aborda a dificuldade de conviver com aquilo que não pode ser apagado, mas também apresenta a possibilidade de transformação diante das adversidades.

Com 224 páginas, “O Peso e a Pluma” é publicado pela Insígnia Editorial e integra as áreas de ficção, relacionamento e superação. O livro possui o ISBN 978-65-84839-53-3. ntar um novo lançamento, a entrevista conduzida por Uilliam Barbosa revelou o caminho percorrido por um autor que transformou experiências profissionais, lembranças familiares e inquietações pessoais em matéria literária.

Ao assumir a escrita como sua terceira profissão, Carlos Homero Giacomini também reforça uma compreensão menos imediatista da literatura: livros não surgem apenas de boas ideias. Eles dependem de leitura, método, disciplina, reescrita e disposição para permanecer diante de uma história até que ela encontre sua forma.

Onde comprar “O Peso e a Pluma”

O livro está disponível na loja oficial da Insígnia Editorial. A edição acompanha marcador de páginas personalizado e está em pré-venda, com envio informado a partir de 10 de julho de 2026. As condições comerciais podem sofrer alterações pela editora. a Pluma” na Insígnia Editorial](https://www.insigniaeditorial.com.br/o-peso-e-a-pluma)

o-peso-e-a-pluma-por-carlos-homero-giacomini-e-editora-insignia Entre a medicina e a literatura, Carlos Homero Giacomini apresenta “O Peso e a Pluma” na Rádio Paraná Educativa

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